Toda a gente agora tem uma obsessão imbecil pela natureza. Conhecidos meus, em geral gente calma e de bom senso, percorrem os hipermercados em busca do sumo natural perdido, anseiam e desesperam por sair de casa e respirar ar puro no meio das filas de trânsito, gastam horas a suar na marginal, em trajes menores, a respirar a maresia com travo de gasóleo.
A natureza é uma coisa horrível, cheia de bichos e humidade. Séculos de civilização deram-nos o tear, o alcatrão e a vidraça. E para quê? Para que os felizes herdeiros de tudo isso, nós mesmos, esta gente aqui do século XXI (Hé-lá-á-á-á-á-á-á! De aqui de Portugal, todas as épocas no meu cérebro, saúdo-te, Walt), metida em fatos de treino de cores berrantes, roxo cinzento verde laranja roxo verde cinzento laranja verde laranja roxo cinzento - vão correr para Monsanto.
Fiquem em casa e dêem uma queca! Drunfem os filhos, desliguem a televisão e metam-se na cama! Não façam nada disso e durmam. Bebam. Leiam. Percam-se nos chats, na cybertreta, no blogodancing. Arrotem. Mas por favor favor por favor - não sejam naturais.
A natureza transmite doenças. A natureza mata. A natureza provoca impotência, cancro da pele, cancro da mama, escorbuto, sida, fome, enfarte do miocárdio, pele seca, candidíase, colibacilo, caspa.
A natureza é uma desgraça.