domingo, 27 de fevereiro de 2011
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Lembro-me de uma história: o homem agarrava-a, empurrava-a contra a parede, subia as mãos pelas coxas. Os dedos marcados na pele. Era Verão. Os corpos suavam. E a pintura da parede descolava-se ao contacto com a pele, vinha em bocados com a pele, desenhava em negativo o corpo dela suado e esmagado contra a parede. Os cheiros: suor e pele esfolada, sangue e tinta quente, um vago mofo no ar da sala.

Eu adoro a noite. É quando penso melhor, leio melhor, escrevo melhor, respiro melhor. As árvores cobertas de chuva a brilharem sob os candeeiros, no jardim diante da minha janela. O barulho dos carros que passam a intervalos na estrada ao fundo. Os outros ruídos abafados da noite. Só nos filmes é que os ruídos da noite assustam. A noite verdadeira é sossegada e suave. As cores da noite são lindas. São escuras, densas, protectoras.
A noite também tem a vantagem de não haver muita gente acordada com quem sejamos obrigados a falar de banalidades: Está tudo bem? Hoje está um lindo dia! ou Esta chuva nunca mais pára! Os meninos vão bem? Que crescidos! et coetera. À noite essa gente está toda a dormir, decerto cansada das tretas que disse ao longo do dia. Quem está acordado está a trabalhar. Polícias, putas, bombeiros e ladrões. Eu não sou nenhuma dessas coisas mas tento misturar-me.
A noite também tem a vantagem de não haver muita gente acordada com quem sejamos obrigados a falar de banalidades: Está tudo bem? Hoje está um lindo dia! ou Esta chuva nunca mais pára! Os meninos vão bem? Que crescidos! et coetera. À noite essa gente está toda a dormir, decerto cansada das tretas que disse ao longo do dia. Quem está acordado está a trabalhar. Polícias, putas, bombeiros e ladrões. Eu não sou nenhuma dessas coisas mas tento misturar-me.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
ruby
Ruby Rocket, Private Detective
parece uma mistura entre a barbarella, o raymond chandler e o spirit...
parece uma mistura entre a barbarella, o raymond chandler e o spirit...
sábado, 19 de fevereiro de 2011
a rapariga, o rapaz, o mau e a cidade

A rapariga, o rapaz, o mau e a cidade. Cento e cinquenta páginas de acção e suspense. Papel amarelado. Comprado num alfarrabista de rua, na descida da Almirante Reis, do lado direito, antes da igreja dos Anjos. Li-o de um fôlego, acompanhado com duas cervejas, nessa mesma tarde, enquanto esperava pela Irene. Que chegou atrasada, como sempre. Mas muito bonita. Vestido cor-de-rosa justo e pele bronzeada.
A Irene era a minha namorada. Enfim, a minha parte de uma namorada. Eu sabia que ela tinha outro tipo quando eu estava demasiado ocupado com a minha tese para sair com ela. Nada que me incomodasse: eu e o outro distribuíamos entre os dois toda aquela imensa energia feminina para dar conselhos, comprar roupas, dar quecas e experimentar dietas. Eu, sozinho, não daria conta do recado: além de o meu trabalho exigir longas horas de solidão diante do computador ou na penumbra das bibliotecas, gosto de ver filmes antigos deitado no sofá, com um uísque na mão, gosto de be bop, gosto de futebol – tudo coisas que ela detesta. Assim eu tinha-a e tinha o resto e ela também me tinha a mim e tinha quem me substituísse quando eu não estava ou não estava para isso, e todos vivíamos felizes.
Quando a vi chegar atirei fora o livro, mas fiz mal, porque ela foi-se embora dois dias depois. As histórias com a rapariga, o rapaz, o mau e a cidade ter-me-iam feito bem então. A Irene foi-se embora porque eu a aborrecia. Já não tinha pedalada para ela. Na cama. Falta de tusa? Não, falta de fôlego. Muitos cigarros! Pois.
(*) a propósito de KISS KISS BANG BANG (sex. murder. mystery. welcome to the party)
A Irene era a minha namorada. Enfim, a minha parte de uma namorada. Eu sabia que ela tinha outro tipo quando eu estava demasiado ocupado com a minha tese para sair com ela. Nada que me incomodasse: eu e o outro distribuíamos entre os dois toda aquela imensa energia feminina para dar conselhos, comprar roupas, dar quecas e experimentar dietas. Eu, sozinho, não daria conta do recado: além de o meu trabalho exigir longas horas de solidão diante do computador ou na penumbra das bibliotecas, gosto de ver filmes antigos deitado no sofá, com um uísque na mão, gosto de be bop, gosto de futebol – tudo coisas que ela detesta. Assim eu tinha-a e tinha o resto e ela também me tinha a mim e tinha quem me substituísse quando eu não estava ou não estava para isso, e todos vivíamos felizes.
Quando a vi chegar atirei fora o livro, mas fiz mal, porque ela foi-se embora dois dias depois. As histórias com a rapariga, o rapaz, o mau e a cidade ter-me-iam feito bem então. A Irene foi-se embora porque eu a aborrecia. Já não tinha pedalada para ela. Na cama. Falta de tusa? Não, falta de fôlego. Muitos cigarros! Pois.
(*) a propósito de KISS KISS BANG BANG (sex. murder. mystery. welcome to the party)
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
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