sexta-feira, 20 de maio de 2005

Hyeronimus Bosch era um católico devoto, partidário da Contra-Reforma. Suponho que nada teria contra o Santo Ofício. Pintou para igrejas, palácios de bispos e sedes de confrarias. Ele mesmo foi confrade de Nossa Senhora de 'sHertogenbosch.
Tinham intuitos didácticos, pois, as pinturas. Deliciosa ironia.
O meu primeiro contacto com Bosch foi no Prado, aos 14 anos, precisamente diante do INFERNO, parte do tríptico O JARDIM DAS DELÍCIAS. As minhas imberbes hormonas saltaram de gozo culpado diante dos corpos torturados e dos esgares que se não entende se são de sofrimento ou êxtase. Já se sabe que esses dois estados da alma se não separam.
Bosch foi, pois, o primeiro SM. Foi, pelo menos, quem primeiro me apresentou os fascínios equívocos desse mundo. Passei um dia inteiro no Prado, sozinho, e um bom terço desse tempo foi gasto na ala Bosch. O resto, vi quase a correr - incluindo a GUERNICA, uma desilusão, e LA MAJA DESNUDA, claramente superior a muito material da Gina.

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